Uma a cada 31 crianças é autista, segundo levantamento atualizado divulgado pelo CDC
Um novo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) aponta que a prevalência do autismo continua a crescer no país, alcançando 1 a cada 31 crianças entre 4 e 8 anos de idade. O dado, referente ao monitoramento nacional de 2022, representa a taxa mais alta já registrada pelo órgão.
A tendência de aumento vem se repetindo nas últimas edições do levantamento: em 2020, a taxa era de 1 a cada 36 crianças, enquanto em 2018 era de 1 para 44. Considerado uma das fontes mais relevantes sobre o diagnóstico de autismo na infância, o estudo do CDC é referência tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.
"Ainda existe uma grande defasagem nos dados sobre autismo no Brasil e no mundo. Os últimos números publicados pela OMS, em 2010, revelavam que havia cerca de 2 milhões de autistas no Brasil. A população total no país é de mais de 200 milhões de habitantes, o que significa que ao menos 1% da população estaria no espectro" afirma Kenny Laplante, fundador e CEO da Genial Care, rede de cuidado de saúde atípica especializada em crianças autistas e suas famílias.
Ainda existe uma grande defasagem nos dados sobre autismo no Brasil e no mundo. Os últimos números publicados pela OMS, em 2010, revelavam que havia cerca de 2 milhões de autistas no Brasil. A população total no país é de mais de 200 milhões de habitantes, o que significa que ao menos 1% da população estaria no espectro
As matrículas de estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) na Educação Básica aumentaram 44,4%, entre 2023 e 2024, chegando a quase um milhão nesse período, segundo o Censo Escolar 2024.
Identificação precoce e marcos do desenvolvimento
Os primeiros sinais de autismo em crianças podem ser percebidos ainda nos primeiros meses de vida, a partir da observação dos marcos do desenvolvimento infantil — etapas esperadas em que a criança aprende, interage e evolui. Esses marcos são definidos e acompanhados por especialistas na área do desenvolvimento infantil.
“É fundamental lembrar que cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento e abordagens únicas de aprendizado. Além disso, nem sempre um atraso no desenvolvimento quer dizer que a criança tenha autismo. O que a família pode observar são os sinais típicos do autismo na infância, que afetam sobretudo o desenvolvimento social e a comunicação”, destaca Kenny.
Como é feito o diagnóstico?
“No autismo, o diagnóstico é clínico, feito pelo médico e também pelo neuropsicólogo, avaliando aspectos do comportamento da criança, além de entrevistas com a família e possibilidade de olhar de outros profissionais clínicos”, explica Thalita Possmoser (CRP 06/131704), Vice Presidente Clínica da Genial Care. “Para se chegar ao diagnóstico final e fechar o laudo, são utilizados instrumentos de medida/avaliação validados cientificamente”.
O que é preciso saber sobre o autismo na infância?
Para compreender melhor o TEA na infância e apoiar crianças autistas de forma efetiva, listamos sete pontos essenciais:
1) Definição de Autismo: O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento. O termo “espectro” indica que os sintomas variam amplamente em intensidade e forma de manifestação.
2) Sinais de Autismo: Os sinais mais comuns incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal, uso restrito da linguagem, ausência de contato visual, comportamentos repetitivos, interesses restritos e dificuldades para interagir socialmente.
3) Diagnóstico de Autismo: É feito por uma equipe multidisciplinar com profissionais da saúde, como pediatras, neuropediatras, psiquiatras e psicólogos. Quanto mais cedo for realizado, maiores são as chances de oferecer suporte adequado e melhorar a qualidade de vida da criança.
4) A importância da intervenção precoce: Iniciar intervenções nos primeiros anos de vida pode fazer grande diferença no desenvolvimento da criança. A estimulação adequada auxilia na aquisição de habilidades sociais, comunicativas e adaptativas.
5) Cada criança é única: Não existe um “modelo” de criança autista. Cada indivíduo tem seu próprio modo de ser, aprender e interagir. Reconhecer e valorizar essa diversidade é essencial para promover respeito e inclusão.
6) Apoio às famílias: Cuidar de uma criança autista pode ser desafiador, por isso é fundamental oferecer suporte emocional, orientação prática e acompanhamento para pais e cuidadores. A saúde mental de quem cuida também precisa ser priorizada.
7) Aceitação e inclusão: a sociedade está cada vez mais consciente da importância sobre a inclusão de crianças com autismo. Escolas e comunidades devem trabalhar para criar ambientes inclusivos onde todas as crianças tenham a oportunidade de aprender e crescer.
Um olhar para o cuidado integral
O autismo não é uma doença — é um transtorno do neurodesenvolvimento que muda a forma como as pessoas vêem e interagem com o mundo. . Isso significa que não existe uma cura, mas sim intervenções e estratégias baseadas em evidência científica para proporcionar uma vida com mais autonomia e bem-estar à pessoa. As intervenções em crianças autistas devem ser feitas por uma equipe multidisciplinar, transdisciplinar e interdisciplinar, em conjunto com a orientação parental e suporte às pessoas cuidadoras, com orientações e treinamentos para lidar com possíveis comportamentos desafiadores no cotidiano, além de salientar a importância de manter o autocuidado e cuidar da saúde mental de quem cuida.
“O acompanhamento adequado traz diversos benefícios para a criança. O objetivo de uma intervenção com qualidade é promover autonomia. Ou seja, melhora nos comportamentos desafiadores e maior independência. Também é positivo para os pais e cuidadores, com o protagonismo na evolução da criança, menos sobrecarga e mais descanso, com suporte e acompanhamento”, conclui Thalita Possmoser, Vice Presidente Clínica da Genial Care.
