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Receita Previsível

Dia Mundial da Internet: como Pix, IA e frete grátis transformaram a experiência de compra online

Dados mostram que 73% dos brasileiros já usam Pix na rotina, 40% já aceitam que a IA realize compras em seu lugar e 66% priorizam frete grátis na hora da compra

mai 2026

Comprar pela internet já foi um processo marcado por boletos com compensação mais lenta, pesquisas exaustivas de preço e custos de entrega que apareciam exclusivamente no final da jornada. Nos últimos anos, porém, a experiência digital de consumo mudou radicalmente. Hoje, pagamentos instantâneos, inteligência artificial e estratégias de frete grátis redefinem a forma como consumidores pesquisam, escolhem e concluem compras online.

No Dia Mundial da Internet, celebrado em 17 de maio, especialistas apontam que a rede mudou não apenas a forma de comprar, mas também a expectativa dos consumidores em relação à experiência digital. Conveniência, rapidez e personalização passaram a influenciar diretamente as decisões de compra.

Pix transforma o pagamento em experiência

No Brasil, uma das mudanças mais profundas dessa transformação veio com o avanço do Pix. Segundo dados do Banco Central do Brasil, somente no segundo semestre de 2025 o sistema ultrapassou 40 bilhões de transações. Já o estudo “Do Pix ao planejamento financeiro”, conduzido pela Lina Open X em parceria com a MindMiners, aponta que 73% da população já utiliza o recurso de forma habitual.

Mais do que substituir métodos tradicionais, como o boleto, o Pix transformou a experiência de compra online ao tornar as transações mais rápidas, simples e imediatas, reduzindo etapas entre a decisão de compra e a confirmação do pagamento. “O problema do boleto não é apenas o prazo e incerteza de liquidação, mas a dependência da ação do cliente. Cada etapa adicional entre a decisão de compra e o pagamento aumenta a chance de abandono”, afirma Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X.

Segundo o especialista, a liquidação imediata do Pix encurta o ciclo financeiro das empresas e reduz falhas na jornada de pagamento. Com o avanço do Pix Automático e da estrutura de Open Finance, o sistema também começa a sustentar modelos de cobrança recorrente e experiências de compra mais fluidas. O efeito prático é a redução de falhas de pagamento e maior previsibilidade de receita, especialmente em modelos baseados em assinaturas, mensalidades ou cobranças periódicas. “Estudos de mercado apontam que uma parcela significativa das perdas nesses formatos está associada não à decisão do cliente de cancelar, mas a falhas operacionais na cobrança”, ressalta o especialista.

IA muda a forma como consumidores pesquisam e compram

Ao mesmo tempo em que os pagamentos ficaram mais rápidos, a inteligência artificial passou a transformar a forma como consumidores pesquisam produtos e tomam decisões de compra.

Segundo levantamento da Conversion em parceria com a ESPM, 57,5% dos brasileiros já utilizaram IA para pesquisar produtos antes de comprar, enquanto 44,2% afirmam ter mudado sua decisão de compra com base em recomendações feitas por ferramentas de inteligência artificial. O estudo mostra ainda que 40% dos brasileiros já aceitam que a IA realize compras em seu lugar.

A mudança marca a transição da chamada “era da busca” para a “era da assistência”, em que consumidores deixam de navegar manualmente por páginas de resultados para delegar parte da pesquisa a sistemas inteligentes.

Em vez de abrir dezenas de abas para comparar preços, cada vez mais usuários recorrem a assistentes de IA para resumir avaliações, analisar reputação de marcas, sugerir alternativas e encontrar melhores condições de compra.

Esse movimento já impacta diretamente o tráfego do varejo online. Um levantamento baseado no Retail Industry Outlook, da Deloitte, mostra que entre 15% e 20% do tráfego de referência que chega a alguns e-commerces já vem de recomendações feitas por chats baseados em IA.

“Não estamos falando apenas de um novo canal de marketing, mas de uma mudança na arquitetura da escolha”, afirma Rodrigo Cruz, vice-presidente de Estratégia de Crescimento e Inovação de Portfólio da Keyrus no Brasil. “Quando 20% do seu tráfego vem de um chat de IA, significa que a batalha pela atenção não aconteceu na sua vitrine, mas nos sistemas de inteligência artificial que processam linguagem natural.”

Para ele, a transformação muda inclusive a lógica de visibilidade digital das marcas. “Precisamos entender que não estamos mais na era de ‘ser encontrado’ por palavras-chave, mas de ‘ser escolhido’ por assistentes inteligentes”, afirma.

A tendência também impulsiona um novo conceito no mercado digital: o GEO (Generative Engine Optimization), estratégia voltada para adaptar conteúdos, catálogos e dados para ambientes de busca mediados por IA generativa.

“A eficiência operacional agora é, literalmente, uma ferramenta de vendas”, acrescenta Rodrigo Cruz. “Se o estoque estiver desatualizado ou a descrição técnica for limitada, o agente de IA descarta a sua loja em milissegundos.”

Frete grátis supera o preço na decisão de compra

Mas a transformação da experiência digital não passa apenas por pagamento e descoberta de produtos. A conveniência logística também ganhou protagonismo nas decisões de compra, especialmente por meio do frete grátis.

Segundo a pesquisa CX Trends 2026, da Octadesk, 66% dos consumidores brasileiros priorizam a entrega gratuita na hora da compra, percentual superior aos consumidores que apontam preço ou desconto como principal fator de decisão. Já levantamento da Opinion Box mostra que 60% dos consumidores desistem da compra quando o valor do frete é maior do que o esperado.

Segundo Thiago Muniz, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), palestrante e CEO da Receita Previsível e da B2B Stack, o frete gratuito atua diretamente na percepção de valor do consumidor. “Enquanto o desconto exige comparação e cálculo, o frete zero elimina um custo percebido pelo consumidor como algo adicional. Essa diferença ajuda a explicar por que, muitas vezes, o comprador prefere um produto mais caro com entrega gratuita do que o inverso”, afirma.

A pressão por conveniência também foi impulsionada pela atuação de marketplaces internacionais, que popularizaram políticas agressivas de entrega subsidiada e elevaram o nível de exigência dos consumidores.

“O ponto não é só replicar ou não o modelo desses players, mas entender o efeito que eles criam no mercado”, afirma Kenneth Corrêa, especialista em dados e inteligência artificial e professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Eles acabam redefinindo o nível de exigência do consumidor.”

Para equilibrar custos e manter competitividade, empresas passaram a usar dados e inteligência artificial também na operação logística. A tecnologia ajuda a definir quando oferecer frete grátis, quais perfis priorizar e como equilibrar conversão e rentabilidade.

“O frete hoje entra direto na conta de conversão e margem, e isso exige um nível maior de inteligência na tomada de decisão”, afirma Rodrigo Cruz. “Com a IA integrada à operação de muitas empresas do varejo, o frete deixa de ser apenas um custo logístico e passa a ser decidido com base em dados.”

Conveniência exige confiança digital

Ao mesmo tempo em que a internet se torna mais automatizada, cresce também a preocupação dos consumidores com privacidade e segurança digital. A pesquisa da Conversion e ESPM aponta que 95% dos brasileiros demonstram algum nível de preocupação em relação ao uso de agentes de IA em compras online.

Para Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa e CEO da Security First, a evolução da experiência digital depende diretamente da construção de confiança.

“Confiança digital não se constrói com avisos legais, mas com arquitetura segura e transparência real. Se a IA executa uma compra, precisa ser absolutamente segura. Uma falha compromete não só o usuário, mas toda a cadeia do e-commerce”, afirma.

No Dia Mundial da Internet, o avanço de ferramentas como Pix, inteligência artificial e sistemas inteligentes de entrega mostra como o ambiente digital passou a conectar pagamentos instantâneos, recomendações personalizadas e logística orientada por dados em uma experiência de compra cada vez mais fluida.