Sylvestre Mergulhão, CEO da People Tech Impulso
out 2025

Nos últimos anos, o jogo mudou. No setor de tecnologia, especialmente, o ritmo das transformações é tão acelerado que nenhum executivo, por mais experiente que seja, consegue acompanhar tudo sozinho. E isso não é nem de longe um problema. O problema, na realidade, é fingir que consegue.
Segundo a Gallup, 20% dos adultos nos Estados Unidos disseram ter se sentido sozinhos boa parte do dia anterior. Estamos falando de cerca de 52 milhões de pessoas. Entre líderes, essa solidão costuma vir disfarçada de performance - trabalha-se demais, em dobro, para disfarçar possíveis vulnerabilidades.
O preço disso aparece nos números: o burnout entre executivos chegou a 56% em 2024, segundo o relatório Views From the C-Suite, da LHH. Além disso, mais de 43% das empresas perderam metade de suas lideranças no último ano.
A verdade é simples: sem rede de apoio, o topo vira um lugar perigoso.
Comunidades podem ser o antídoto para a solidão corporativa
O modelo do “líder herói” está ficando para trás. Hoje, quem se destaca é o líder conectado, aquele que entende que pensar em grupo é mais poderoso que decidir sozinho.
As comunidades executivas surgem justamente nesse contexto. Elas não são clubes de networking ou eventos cheios de jargões. São espaços reais de troca e aprendizado coletivo.
Em um grupo bem curado, um CTO pode dividir a dor de uma migração tecnológica que saiu do controle, e um CEO pode desabafar sobre a pressão de uma rodada de investimento. E o que volta não é julgamento — é perspectiva. É inteligência coletiva operando em tempo real.
Estudos apontam que a diversidade de experiências, incluindo vivências internacionais e um alto nível de formação acadêmica, tem impacto direto na performance organizacional.
Ainda segundo o levantamento da CMX Community Industry, 81% dos entrevistados afirmam que as comunidades foram muito bem-sucedidas em impactar os objetivos de seus negócios.
Aprender com os outros é mais rápido que aprender sozinho
O Fórum Econômico Mundial estima que 40% das habilidades atuais vão deixar de existir nos próximos cinco anos. Se você é líder em tecnologia, sabe que cinco anos é praticamente agora.
Nesse cenário, as comunidades funcionam como hubs de aprendizado contínuo, permitindo que líderes aprendam com os erros e acertos dos outros, antecipem tendências e filtrem o ruído. Em vez de seguir o hype, é possível, a partir das trocas, a focar no que realmente gera valor.
E tem mais: segundo a CMX, 81% das pessoas que participam de comunidades afirmam que elas impactam diretamente os resultados do negócio. Isso é dado, não opinião.
Liderar em rede muda a cultura de dentro pra fora
Quando um executivo passa a viver essa lógica — a de compartilhar em vez de competir —, a cultura interna da empresa também se transforma. Equipes ficam mais abertas ao erro, mais criativas e mais colaborativas. Ideias de diferentes contextos se encontram e geram soluções que não nasceriam em silos.
E, em tempos de sobrecarga emocional, isso faz diferença. Líderes com boas redes de apoio são mais equilibrados, produtivos e humanos, e isso impacta todo o entorno e as equipes.
No fim, a força está em quem voa junto
Participar de uma comunidade não é sobre status, é sobre intenção, sobre vontade de ouvir, contribuir, se abrir.
No fim das contas, liderar junto é mais inteligente do que liderar sozinho. As comunidades executivas simbolizam a transição do líder heroico para o líder conectado, aquele que entende que força não está em ter todas as respostas, mas em saber onde buscar as perguntas certas.
